segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Exercícios do Ver

Nestes últimos dias venho chamando a atenção dos poucos que ainda me seguem no Facebook para manchetes blindadas da Grande Mídia que surgem sobre o Tucanistão e o Chuchu. Sim, amiguinhos, a grande maioria dos brasileiros não passam da leitura das manchetes e, logo, o cuidado da imprensa com elas é quase a de um ourives trabalhando uma rara joia.

A Dilma, o Haddad e o PT são sempre citados nas manchetes de forma negativa, enquanto o anestesista e o PSDB, no decorrer do texto, surgem apenas como "Governo Alckmin". O governo FHC, mesmo citado nos denuncismos sobre a Petrobrás, nem mereceu menção no Jornal Nacional, enquanto na Folha, apareceu apenas como "Esquema de corrupção estaria montado desde 1997".

Outra questão também que chamo a atenção são as fotos: Dilma, sempre com caretas (criticada por ser feia - de um machismo horroroso), Haddad sempre suado e descabelado. Por outro lado, Alckmin, sempre fazendo essa pose, como na foto do link aí embaixo, de pastor de igreja, servo de Deus, trabalhador, pai de família e qualquer outra leitura que se faça no sentido da segurança que nos transmite diante do caos.

Sim, facebook é instantâneo, atingindo milhões de pessoas, que compartilham, e atinge outros tantos milhões. Fotos e legendas atingem mais do que textos longos ou reportagens elucidativas.

O resultado das leituras dos gráficos do Datafolha deste domingo então é este aí: Dilma e Haddad caindo na popularidade e Gerardo aparecendo como intocável.


Óbvio que há erros de estratégia de comunicação por parte do Palácio do Planalto, perdidos numa maré de denuncismo sem provas, que afetam indiretamente a população. Atenção!!! Não estou defendendo a corrupção da Petrobrás (que provavelmente existe desde Getúlio), mas criticando o efeito midiático nosso de cada dia. Um exemplo? A invasão da Polícia Federal na casa do tesoureiro do PT. Entraram, apreenderam os computadores e até agora não divulgaram nenhuma fraude. Porém, a invasão da PF, pulando o muro da casa do homem foi exibida em horário nobre na Globo.

Por outro lado, em SP, é fato - sentimos diretamente dentro de casa - percebemos a falta de água, o abandono das escolas e universidades, o caos na segurança, na saúde e nos transportes, a ineficiência da SABESP e da ELETROPAULO, além do aumento de impostos no "estado mais rico do Brasil" e, ainda assim, este cara se mantém intocável.

Não sei se a blindagem da Grande Mídia se mistura a ignorância do brasileiro de não saber quem é quem e quais são suas responsabilidades nas esferas políticas, ou se Geraldo é mesmo a cara do povo paulista, quiçá do Brasil: hipócrita, individualista e ganancioso.

E se for isto, lutar contra e pelo quê? Merecemos o que temos.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Coerência com a honestidade

Meu problema não é a indignação de certas pessoas com a corrupção que está sendo investigada. Ao contrário! Meu problema é com a falta de indignação com aquilo que NÃO É investigado!
A Petrobrás, pelo que TODOS vemos, está sendo investigada até as últimas consequências (ninguém pode negar isso!). Não vejo, porém, levantarem a bandeira de investigação e de impeachment com o Alckmin, ou com qualquer setor do PSDB, com o fato de, por exemplo, 3,6 bilhões de dólares terem sido "investidos" na despoluição de um rio que está pior que 20 anos atrás, com as escolas estaduais de SP caindo aos pedaços, com o cartel do metrô, aeroportoS de Aécio, desvio da saúde quando governador etc... Querem ser os arautos da honestidade? Comecem pelo menos sendo correntes!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Como fazíamos sem... ÁGUA LIMPA


Hoje a coisa é simples. Você abre o filtro - ou a garrafinha de água mineral - e mata a sede à vontade. Mas, para nossos antepassados, água costumava ser um problemão: um pequeno gole podia levar à morte. Isso porque, no começo dos tempos, os únicos instrumentos que os homens tinham para determinar se a água estava boa ou não para o consumo eram o olho e o paladar. E parecia óbvio que água clara e sem sabores estranhos era sinônimo de água limpa. O problema é que muitos organismos nocivos ao ser humano não mudam nem a cor nem o gosto da água. E lá se iam alguns de nossos antepassados morrendo por causa da sede, ou melhor, da falta de sede. Uma solução foi substituir água por cerveja. Isso mesmo. Há mais ou menos oito mil anos - quando o homem ainda era nômade (ou seja, vivia vagando pelo mundo) e nem sempre encontrava boa água para beber - alguém deixou alguns grãos de cevada ao relento e eles fermentaram naturalmente, por causa do contato com a umidade do ar. Algum corajoso experimentou o líquido que resultou da experiência acidental e percebeu que ele não provocava indigestão (afinal, o processo de fermentação impede a reprodução de bactérias).
Para não ter que passar o resto da história bêbado, o homem começou cedo a inventar sistemas de filtragem - alguns, aliás, bem parecidos com os que usamos hoje. Há registros mostrando que, em 2000 a.C., já se recomendava ferver a água ou fazê-la passar por um filtro de areia. Outras medidas, no entanto, não eram nada eficazes, como deixar a água no sol ou colocar um pedaço de ferro quente dentro do recipiente.
Na Grécia Antiga, a recomendação era beber água da chuva. Parece simples, né? Mas não era, não. Antes de poder molhar a garganta, os gregos costumavam ferver o líquido. Depois, usavam um pano limpo e encharcavam-no com a água. E só depois de retorcer o pano é que bebiam o que saísse dele. Depois de tanto trabalho, aposto que qualquer água era bem-vinda para matar a sede.
Mas o esforço dos gregos era fichinha perto do que sofreram os contemporâneos de Francis Bacon. Em 1627, o filósofo achava que era possível tirar o sal da água do mar fazendo buracos na areia. Pobre de quem experimentou. Nada dá mais sede do que um golinho de água salgada.
Quando finalmente alguém achava um rio ou nascente confiável, aparecia outro problema: transportar a água até as casas. Tinha quem decidisse ir morar perto da água, mas isso também podia significar problemas (como era difícil a vida de nossos antepassados, não?). Nos períodos de chuva, os rios podiam transbordar, alagando tudo em volta. A solução foi construir bombas que levavam água dos rios para poços próximos às vilas e cidades. Assim, era preciso ir até o poço toda vez que você tivesse sede. E, como todo mundo ia ao mesmo poço, o lugar se tornava uma espécie de ponto de encontro dos jovens - normalmente eles, por serem fortes, é que enchiam as vasilhas com água para a família. Muitos namoros e paqueras começavam ali, entre a subida e descida do baldinho.

Fonte: SOALHEIRO, Bárbara. Como fazíamos sem... 1 ed. São Paulo: Panda Books, 2006, p. 14-17.