O "jeitinho brasileiro" é nossa herança colonial. Foi como sobreviveram nossos antepassados diante da opressão portuguesa, e depois, quando nos tornamos independentes, fomos vítimas da opressão do Império, isso tudo num território hostil. Hostil para os europeus habituados a um certo conforto e que aqui nada havia, mas mais ainda para os índios marginalizados em seu território e para os negros, escravizados e tornado "coisas". Enfim, de norte a sul e de leste a oeste eram quase todos violentados nestas terras, com exceção, óbvio, da elite que controlava o caos. Quem chegava, não importa de onde, entrava no mesmo balaio de violência.
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| Foto do SESC Belezinho, São Paulo. Tarde de 14 de setembro de 2013. Foto de Nilton Serra. |
Na Republica, que se alternou em períodos democráticos com longos períodos ditatoriais, a opressão continuou e o instinto de sobrevivência sempre prevaleceu mais que a concretização de nossos valores.
Passados tantos séculos, nossa forma de sobreviver, o famigerado "jeitinho", resultou em parte integrante do nosso caráter: em cada um de nós ora surge como criatividade ora como corrupção. Às vezes, ambas forças atuam em conjunto.
A superação disto é uma batalha que cada um de nós temos que travar contra nós mesmos.
A criatividade, obviamente, nos fez sobreviver a tantas crises e deve ser supravalorizada para poder se tornar um força propulsora em busca do país que queremos. No entanto, a corrupção nos destrói no íntimo, acabando com esperanças e sonhos de buscar um país mais igualitário e justo.
E esse é nosso maior desafio.
*Texto publicado originariamente no Facebook, dia 22 de setembro de 2013.

Vamos impulsar nossa criatividade e deletar a corrupção.
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